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Inactivo em actividade!

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Passo a partilhar convosco um caso com que me defrontei no desempenho de determinado cargo, no Ministério da Educação. Mais do que humorístico, revela como, às vezes, se pode cumprir a lei e fazer a justiça por linhas tortas! Num processo disciplinar, instaurado na sequência de uma denúncia, ficaram provados os factos de que era acusado um docente, por sinal muito dedicado e, porventura, o que, na altura, mais se destacava no concelho em que trabalhava. Só que os factos de que o professor era acusado, e que o próprio confessou, tinham de ser levados às últimas consequências, em cumprimento da lei. Embora considerando todas as atenuantes, não havia como não aplicar-lhe a sanção disciplinar correspondente à infracção de que era acusado. Por outro lado, não era possível determinar-se a suspensão da sanção aplicada, visto que a pena em questão (inactividade por seis meses) era e é insusceptível de tal medida. Não se insurgindo contra a pena de seis meses de inactividade, que havia s...

A tramitação de um interessante requerimento

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O episódio que se segue, absolutamente verídico, mostra que a questão do domínio da língua portuguesa em Cabo Verde e, provavelmente, no espaço lusófono, precisa de maior atenção. 1. Um alto dirigente do Ministério da Educação de Cabo Verde recebe um requerimento do seguinte teor: “F de tal ___, Licenciado em Cumunicação Social pela Universidade de ____, venho mui respeitosamente requerer ao Vossa Excilência se digne mandar admitir -me numa das vagas de docente ou técnico superior ezistente ou que venha a ezistir , de prifirência na cidade da Praia. Pede indeferimento . Praia, …. Assinado: F de tal" 2. Analisado o requerimento, o dirigente em questão não hesitou. Exarou, de pronto, o seguinte Despacho: “Concordo com o indeferimento do pedido formulado pelo próprio requerente, cuja duvidosa competência transparece, aliás, claramente, no texto do requerimento. Praia, … O ____, Rubrica” 3. Descontente com o teor do despacho, o autor do requerimento faz a seguint...

A história de uma pesquisa na Internet

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Há uns anos, propus aos meus alunos de determinada turma, de um dado curso superior, que realizassem trabalhos de pesquisa sobre diversos temas, de entre os quais a "evolução dos paradigmas ou modelos de Inspecção Educativa". O grupo que escolheu este tema apresentou, em tempo record, um trabalho que, ao ler, descobri, imediatamente, ser um texto meu. Já me esquecera de que esse texto era um dos vários trabalhos que eu havia enviado, por e-mail, a um colega estrangeiro, que mos solicitara, no âmbito do intercâmbio de trabalhos académicos que vínhamos fazendo. Por isso, não foi sem surpresa que recebi como alegado trabalho de pesquisa esse texto meu que, do princípio ao fim, não tinha sofido qualquer alteração, a não ser, é claro, as menções da praxe: curso, ano, turma, disciplina e lista dos participantes. No intervalo, interpelei o responsável do grupo: - Recebi o “vosso” trabalho, mas não gostei nada do que me aprontaram! - Porquê, professor? É um bom trabalho! -...

Português, um problema!

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Há vários anos atrás, acompanhado de um inspector, efectuei uma visita de supervisão pedagógica a uma determinada escola do ensino básico da capital cabo-verdiana. Antes de iniciarmos a visita às aulas, dirigimo-nos, como é da praxe, ao gabinete da gestora, que nos recebeu, com simpatia, a fim de lhe apresentarmos os objectivos da acção inspectiva e recebermos algumas informações de que precisávamos. Porque as primeiras impressões eram favoráveis – a boa aparência externa da escola, a higiene no espaço circundante, a ordem que se vislumbrava na secretaria e o ambiente acolhedor do gabinete da gestora –, a conversa com a gestora começou com um elogio, quanto mais não fosse para colocar à-vontade a nossa interlocutora: - Aqui nos tem, senhora Gestora!- disse-lhe eu. Estamos aqui para, de algum modo, contribuirmos para elevar, ainda mais, a qualidade de desempenho da sua escola. No entanto, pelo que estou ver, se calhar, esta escola não terá muitos problemas!... - Oh! Sr. inspect...

O senhor Auditor!

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Supostamente, a introdução da auditoria nas instituições educativas deveria constituir um passo de grande alcance no processo de promoção da excelência do serviço educativo. Com efeito, a auditoria, que se apoia em métodos e procedimentos científicos e em normas universalmente aceites, visa aferir o grau de eficiência e eficácia das escolas e formular propostas de melhoria. Ao contrário das modalidades de fiscalização (como a averiguação, o inquérito ou a sindicância), que podem desembocar em medidas de efectivação de responsabilidade disciplinar, a auditoria não tem propósitos punitivos, não visa reprimir os agentes educativos, mas sim ajudá-los, por um lado, a manter, consolidar ou melhorar os aspectos positivos do seu desempenho e, por outro, tomar consciência dos seus pontos fracos e das formas de os superar. Teoricamente é assim e, na prática, existem muitos bons exemplos a confirmar a teoria. Todavia, nem sempre as experiências de implementação das auditorias têm sido a...

De uma investigação científica sobre a rã

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Um cientista muito dedicado à investigação decidiu fazer uma experiência sobre a rã. Pegou numa rã, cortou-lhe uma das patas e disse-lhe: - Rã, salta! E a rã saltou. Em resultado desta experiência, o cientista escreveu: - "Rã com três patas salta!". Em seguida, cortou mais uma das patas à rã e disse: - Rã, salta! E a rã saltou. Em face do resultado da experiência, o cientista anotou: - "Rã com duas patas salta!". Prosseguindo a sua experiência, cortou outra pata da rã e ordenou: - Rã, salta! E a rã ainda conseguiu saltar. O cientista, perante este resultado, anotou: - "Rã com uma pata salta!" Por fim, cortou a pata que restava à rã e disse: - Rã, salta! A rã ficou ficou imóvel! - Rã, salta! - repetiu. E nada. Em resultado desta interessante experiência, o cientista conclui, de forma peremptória: - "Rã sem patas é surda!" (Reelaborado a partir de um texto de autor desconhecido)